Conheça a história da ASAMI

O uso de fixação externa no tratamento de fraturas teve seu início no ano de 1843, conforme registrado pela primeira publicação a respeito, por Malgaine, na França. Posteriormente, o norte-americano Park Hill, em 1892, e os irmãos belgas Lambotte, em 1902, publicaram trabalho sobre seu fixador monoplanar com maior indicação nas fraturas expostas. Foi na Segunda Guerra Mundial que o fixador externo teve um grande impulso com a introdução, em 1938, por R. Hoffmann, de seu fixador monoplanar, mais tarde aperfeiçoado por Vidal, dando oportunidade para que muitos membros fossem salvos. Desde então, a fixação externa foi se tornando importante instrumento no tratamento das fraturas e alguns autores, como Anderson (1934), Charnley (1938) e Wagner (1972), já ampliavam suas indicações, desenvolvendo fixadores para alongamento ósseo, artrodeses etc.

No Brasil, José Soares Hungria Filho e João D. M. B. Alvarenga Rossi desenvolveram a fixação externa nas décadas de 70 e 80, principalmente no tratamento das infecções ósseas e no trauma. Enquanto no mundo ocidental, a partir da década de 60, o grupo AO estudava e introduzia o sistema rígido de síntese interna, principalmente através das placas de compressão com reduções anatômicas e cirurgias amplas, na Europa Oriental, mais precisamente na União Soviética, um russo chamado Gavriil Abramovich Ilizarov desenvolveu e introduziu o oposto, com cirurgia minimamente invasiva, preservando o fator biológico (partes moles, periósteo e endósteo). O fixador conhecido como Ilizarov mantém o fator mecânico estável através de uma fixação externa circular, mais elástica, com a fixação ao osso através de fios de Kirschner de 1,5 mm e 1,8 mm de diâmetro, demonstrando que o osso e os tecidos regeneram também em distração. A sigla ASAMI que usamos hoje quer dizer "Associação para o Estudo e Aplicação dos Métodos de Ilizarov" (Association for the Study and Application of the Methods of Ilizarov), e foi fundada em 1982 por A. Bianchi-Maiocchi, Roberto Cattaneo e Avilla na Itália.

Por meio da ASAMI italiana, o método Ilizarov passou então a ser divulgado no mundo ocidental, tendo como centro de referencia a cidade de Lecco, serviço de Roberto Cattaneo. Em 1987, em São Paulo, no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), ocorreu o primeiro curso sobre o método, ministrado por Bianchi Maiocchi e Ângelo Villa. Nessa oportunidade, foi fundada a ASAMI brasileira. Os brasileiros continuaram se aprimorando com estágios na Itália e na Rússia, formando em nossos serviços vários núcleos específicos de ensino e treinamento no setor.

Em 1994, devido a importância do método no Brasil e no mundo, a SBOT fundou o Comitê ASAMI – Reconstrução e Alongamento Ósseo, chegando a 249 membros. Desde então, o Brasil esteve bem representado, nacional e internacionalmente.